Armadura quando cai.

Andava feito um cavalheiro medieval. Podia escutar todos os ferros se movimentarem junto com seu corpo. E suportava todo o peso da armadura ao se levantar, porque nunca soube como era estar sem ela. E tinha medo do desconhecido. Tinha medo das feridas.
Estava protegido vestido daquele jeito, estava imune. Um dia alguém lhe ofereceu a ideia de se livrar aos poucos de cada peça,
Não lembro qual proposta lhe fez,
mas lembro que não concordou,
e mesmo assim foi retirando ferro por ferro, sem perceber.
Estava com medo, alegre, com medo, leve, com medo, infestado pela liberdade...
mas talvez, deveria ter deixado o capacete por mais alguns minutos, porque um dia quase perdeu a cabeça.
Quando a armadura caiu toda no chão, foi aquele barulhão!
E não demorou muito pra se arranhar pela primeira vez.
Doeu.
Pinicou.
Ardeu.
Queimou.
Esfriou.
Derramou.
Sangrou...até que cicatrizou.
Armadura quando cai, não pesa mais.
Fez o seu melhor, crescemos e então...
não serve mais.
A não ser como uma recordação enferrujada, de pura lata velha.

(Inspirada numa música do grupo Sol Maior)

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