Tetê
Mãos de fadas,
mistério de bruxa,
força da mata e uma mistura de roça que puxa.
Com um maracá, fez a festa em segundos,
Trouxe as crianças para nós, de outros mundos.
Perdida! Eu, ela e os outros
Mas alguém que ali descia
Falando de eiras,
de horas e de planos,
Resolveu muito nó, de mais dez anos:
"Vai ter que receber!”, dizia ela assim,
Abrindo um caminho que não tinha fim.
E dia após dia,
no vira e desvira,
A folha que cura,
E a fumaça que tira,
Eu, que era uma,
fui sendo outras tantas,
Eles também!
Com ervas e banhos...
Nas rezas santas,
mel e dendê
pipoca e não’s,
O congar ressignificava vários corações.
Nome de flor, passagens de dor,
Dominou nossos combates,
Construiu nosso amor.
Mas fechava caminhos com seu braço fraco,
Gritava pros netos, mudando de sorte:
"Se eu sair pra te pegar, é peia na certa, pode acreditar!"
Instável,
humana
e figura,
Misturava o sagrado com a vida imatura.
De dia era moça com riso farseiro,
De noite saudava como um cavalheiro.
Ora é Cabocla, que assobia,
Ora era Preta, que a fura e castiga.
E o que era família virou campo de guerra,
O veneno do fuxico no chão criou perna.
Irmãos contra irmãos, inveja escondida,
Corroendo o axé e sugando a nossa vida.
Ela nunca mais desceu, e o axé se perdeu,
Ouvidos ao veneno e a jornada? Esqueceu!
A mandinga que era cura, hoje é só maldição,
Com a miséria e a desgraça dando "oi" do portão.
A força que unia virou arma de ego e rancor,
O rastro da maldade sufocou o antigo esplendor.
Onde era para ser porto, o barco afundou,
Pelas mãos da senhora que a queda traçou.
Testemunhas de um reino que o tempo desfez,
Onde a mentira e o fuxico sentou e roubou cena de vez.
Entre o santo e o ego, morreu a união,
Ficou o luto no passe e a dor dos irmãos.
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