Parada.

Espero pelo ônibus, assim como a árvore um pouco longe de mim, mas na minha frente sempre espera. Não temos diferenças. A estrela em cima da árvore brilha igual ao poste do lado dela. Quatro. Eu, a árvore, a estrela e o poste, idênticos! Sozinhos, cheios de pessoas ao redor, esperando, no mundo.
Deve ser difícil ser árvore, crescer e nunca sair do lugar. Ter frutos, secar, molhar, sem nenhum pio. Aliás, os pios dos passarinhos... ás vezes deve ser infernizante ter que aguentar, é incrível como ninguém pensa nos ouvidos verdes.
Deve ser difícil ser estrela também, brilhar e nunca poder sair do lugar. Estar sempre longe, longe... Ser vista por gente do sul e gente do norte, mas não ouvir nenhum elogio. E a falta de privacidade todas as noites? Todas as noites! Sem contar que ninguém pensará nela durante o dia. Aliás, deve ser um saco saber que seu brilho não é próprio.
Deve ser mais difícil ainda ser um poste. Ninguém quase nunca vai olhá-lo por inteiro por causa do seu tamanho, e talvez, na sua vida inteira, seja notado apenas quando pifa...não deve ser muito agradável também saber que estará sempre por cima e mesmo assim, não ser grande coisa...sem contar com as pipas! Que quando não tem o que fazer, se engraçam nos seus fios...
É...eu ainda espero pelo ônibus...mas não mais como a árvore um pouco longe de mim, mas na minha frente sempre espera. Logo ele vai chegar e não estarei mais parada, não seremos mais quatro, não seremos mais.
Chega, não espero mais, agora subo.
"Não seremos mais." digo subindo os degraus que me levarão a algum lugar, e olhando para a janela, não pela última vez, para a árvore, a estrela e o poste, escuto: "Será que seu ônibus também não é assim?"
Sozinho, cheios de pessoas ao redor, esperando, no mundo.

Comentários

Eu ué! disse…
Ahhh isso lembra algo de alguma escritora que eu já li alguma vez..
AHHHH não lembro.
Tá MUITO bom (não por 'parecer' oque outra pessoa escreveu..)

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