Troque o perfume mas não o ar.
Tenha paciência, que terás fé, que terás respostas , que trarão a verdadeira saída. E então os olhares de medo vão se transformar numa leal coragem, que aos poucos soprarão ventos que te farão enxergar como seus cabelos ainda voam bonitos, e ai a espera não é mais estressante e interminável, é agradável e natural, como um beijo macio e demorado. E se você se permitir a sentir, tudo gradativamente vai indo embora mais cedo, mais bem apagado, sem anseios e medo. E se você se permitir a sentir, as músicas românticas podem ser ouvidas em sossego de novo, sem nenhuma mera coincidência rancor-amorosa. E se você se permitir a sentir, as águas dos seus olhos terão sido derramadas apenas para lavar toda a sua alma penada.
Troque a música, troque o estilo das roupas, troque os personagens da capa do caderno, troque os horários, e se te fizer bem melhor, evite o contato, permita as lembranças que insistem em ficar, troque o perfume mas não o ar.
Não recomedo para os fracos, mas no começo é importante lembrar mais e mais. Costuma ser doloroso, eu devo ser meio masoquista, mas caminhos difícies trazem dias mais fáceis, não sei exatamente o porquê. E faz todo sentido do mundo o tempo tornar os dias seguintes menos intensos, com menos vontade, com menos saudade, e ajustadamente mais fáceis. E dessa forma, as insistências se perdem até irem embora, tornando as lembranças um mero recado.
Se dê um tempo, mas respeitando seus reais sentimentos. Amarre os cabelos, respire nos gaguejos e nunca troque tudo de lugar pensando em se esquecer por alguns instantes, porque o fato de você estar dilacerada e já não suportar mais, não te dará mais ou menos suspeitos. É bobagem, é efêmero e só maqueia o que está ali para ser sentido, pra depois ser analisado, pra ser compreendido e permitido, e ai sim: brevemente extinto.
Comentários