Medusa e eu
No começo,
Medusa me tirava de tempo,
depois me tirava do sério,
Aí começou a me provocar
era risada,
crise de riso,
dança e movimento.
Medusa pensa rápido,
canta bonito
me petrifica quando menos espero,
toca instrumento
me acolhe quando fecho os olhos com medo do meu escuro,
das minha sombras,
Ela pergunta se estou bem
me ajuda a vender livros,
faz propaganda,
me marca na internet,
diz que não me ama
É uma ordinária!
Ou mulher livre?
Ou feiticeira maldita como eu?
Medusa então abre a porta da sua casa pra mim
Do seu bairro
Dos seus gatos
rimos
bebemos
comemos
“pode dormir aí maluca”
durmo
e acordo gritando “eita como tu és”
Medusa me dá água
Diz que eu curei seu cachorro
Me dá cerveja
Dança comigo na quadrilha do JK
Acredita quando eu digo que senti uma presença
Acredita quando eu digo que escutei dentro da minha cabeça
Então ela me conta um segredo
É tão doida quanto eu
Me conta então mais dois segredos
E depois vomita
Eu acudo
Medusa sorri e libera seus medos
Três segredos
Me conta das garrafas atrás das portas
Da sua dor
Sinto sua dor
Quatro segredos
Sinto vontade de abraçá-la
Sinto que não nos encontramos por acaso
Te conto de um projeto de música que eu tenho e ela precisa participar
Depois pergunto do seu quintal
E ela me conta de quando gostava de planta
Eu também tive essa fase
Medusa me solta de seus amores
Faz live
Faz caixinha de perguntas
Me conta da saudade das suas tranças
E eu da minha infância
Trocamos informações sobre nossos sonhos…
mediúnicos
e terrestres também.
Medusa me conta então dos seus mortos vivos pra sempre no seu coração forte,
do norte,
vermelho
vermelhante
vermelhaaaço!
E então combinamos de passar batom vermelho.
Amo que a Medusa sempre acreditou em mim
E as cobras do seu cabelo começaram a me hipnotizar
Medusa lê e relê meu livro de poesias
Medusa fala do seu Zé,
de Oyá
e meu papai Omolu
Medusa é parceira e fala a minha língua!
Consegui conquistar Medusa ou foi ela que me conquistou?
Encontrei a Medusa ou foi a Medusa que me encontrou?
Nunca mais eu vou saber…
Nunca mais eu quero entender…
Só quero sentir.
Desse jeito doido
Desse jeito torto
Desse jeito amigo dela e meu.
Axé ordinária!
Poetisas não dizem eu te amo.
Poetisas escrevem sobre você.
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