" Em uma gélida noite de inverno, uma velha mendiga bateu na porta do príncipe, oferecendo uma singela rosa em troca de abrigo para se proteger da neve e do frio. O príncipe enojado pela aparência da velha recusa a oferta e a manda ir embora. Ela o aconselha a não deixar-se enganar pelas aparências externas, pois nem tudo é o que parece. Quando o príncipe voltou a expulsá-la, ela se transformou em uma bela feiticeira. O príncipe tentou pedir perdão, mais era tarde, ela já havia percebido que não havia amor no coração dele, e para castigá-lo transformou-o em uma fera horrenda. A feiticeira lançou uma maldição no castelo e em todos os que lá viviam. Horrorizado por sua monstruosa aparência a Fera se confinou no castelo com um espelho mágico, que era sua única janela para o mundo exterior. A rosa oferecida pela mendiga era encantada e iria florescer até o 21ª aniversário do príncipe. Até lá se ele amasse e fosse correspondido o feitiço se ...
Pestanejei tonta, mas ao abrir a boca pela primeira vez no dia, foi gosto de liberdade que me fez acordar pensando que o sol tivesse decidido sair e brilhar por mim. Entretanto, numa falta de educação tremenda, lembrei do oxigênio e respirando fundo, já numa malícia frenética entre mim e o ar, lembrei que o ar, indiferente, auto suficiente e preciso, quer sempre entrar e sair sem dar satisfação. Só de sacanagem decidi que em mim ele só entraria e não importa se má, maldita ou maluca, eu seja. Sei que já de manhã pensava vingativa, conseguindo transformar toda a áurea matinal de sossego em perigosa e medrosa, como só a noite é campeã em conseguir ser. Aliás, a noite é campeã em deixar tudo mais bonito e mágico também, é definitivamente: O escuro mais paradoxal(mente) terrível e... romântico que temi. Maquinando, bem sabia eu e mal sabia o ar, passando pelo meu cérebro, que me dava idéias absurdas de como driblá-lo. Meu plano só deu certo, porque o ar não pode percorrer pelas vísceras d...
Acordou. Ninguém na casa. A casa limpa e cheirosa da faxina de ontem ainda transpirava. Levantou. Ninguém na cozinha. Os copos limpos, sujou um injustamente, para matar sua própria sede. Bebeu a água, gelada e pensante. A geladeira foi fechada, a pia recepcionada pelo copo, e a boca fechou de um jeito, que parecia nunca ter se aberto um dia. Andava devagar, sentindo o chão limpo e frio. Pisava como se estivesse em terras sagradas. Subitamente, soltou os cabelos e pois-se ao chão. Abriu os braços, e abriu as pernas, e espalhou a cabeleira como uma rosa dos ventos de um mapa geográfico. De um ângulo de cima, diriam que seria um "X". Um "X" humano em uma casa limpa. Não havia ninguém na casa. Não havia, coincidentemente, ângulo de cima. Levantou. Oferecidos, pareceram-lhe os sofás e foi para o balcão. Bebeu licor, quente e pensante viu as taças competirem para serem usadas, e a segunda do armário ganhou sua atenção. A garganta lhe ardeu, mas não expressou nada. Ninguém...
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