Não sei cozinhar. E eu penso nisso às vezes. E esse é um dos meus dilemas que empurro com a barriga. Não saber cozinhar é praticamente não saber sobreviver. É admirar o cheiro da comida saindo da panela como se fosse um...um... desenho do Picasso! Que você admira mas não sabe fazer, que está sendo feito para você com toda uma penumbra de criativadade, atenção, e mistério.
Não saber cozinhar me fez afirmar:
"Eu admiro o que não sou capaz de fazer, incrivel!"
Segundos depois, me fez entrar em crise:
"Mas, se eu admirasse o que não sou capaz de fazer, eu admiraria também qualquer coisa vinda ou vinculada a exatas, não?"
e terminei desafirmando tudo por conta do que eu nunca gostei, matemática.
Quando eu era menina, pensava que cozinhar seria resolvido com livros de receita, tive ainda um plano de comprar um caderno e entrevistar minhas avós anotando tudo que eu queria aprender a cozinhar, minha missão seria começar do arroz e terminar nos grandes banquetes de ceias natalinas. Minhas duas avós são cozinheiras de mão cheia (e as duas possuem temperos deliciosos e diferentes!) o que explica como somos moldados pela cultura e não pela genética (antropologia na veia gente!) e o que me serve de consolo.
Contudo, como eu disse no começo, fui empurrando com a barriga e não inventei meu caderno, não coloquei o plano em prática, (nem em teoria, ficou em sonho) o que não fez com que os anos deixassem de passar e eu me entregasse ao cruel destino de afirmar: "Não sei cozinhar."
Não foi com um livro de receitas, (das poucas tentativas de cozinhar alguma coisa por conta própria) que descobri o mistério das comidas. Foi prestando atenção naquilo que eu mastigava e que sustenta meu corpo.
Fui surpreendida, é que a comida mesmo sendo calculadamente feita por, por exemplo, três pessoas, e mesmo sendo a mesma comida, elas possuem gostos diferentes.
Comida, passou a ser para mim então, mais que só comida. Mais que só quente ou friamente calculada, passou a ser uma arte! Adquiri então, uma verdade absoluta sobre o que eu não sei, afirmando algo que não era meu, mas que serviu para mim:" Cozinhar é uma arte."
(Fê tem várias teorias sobre as comidas, e afirma sem se oferecer a fazer, que sabe fazer macarrão!)
sábado, 21 de novembro de 2009
O mistério das comidas.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Na ilha Fê(cunda)

Vivo, não aparentemente, em uma ilha. Uma ilha de pensamentos, de conceitos, de ideias, de vontades, de devaneios. Nessa ilha ninguém pisa. Nessa ilha, eu, livremente, passeio pela vegetação sem horário de chegada, sem horário de partida. Faço chover em um pestanejar, e ensolarar num simples estralar. Apesar de viver em uma ilha, descobri que sou a ilha! E que mesmo assim, preciso de liberdade, eu morro de vontade! E como me é pernicioso ser livre por aí, vou no meu barco voador.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Meu príncipe entrevado.
"- O senhor vai ganhar de novo, né? Por que não posso andar para trás?!"
- Porque na dama só anda para frente Nanda."
O banheiro está ensopado. A casa, uma parentada. A dor de cabeça passou. E por mais que não fizesse sentido nenhum para mim chegar perto de você agora, fui obrigada. Não era você, estava tão inchado, ainda bem que não parecia você, eu já sabia que não ia ser você lá. O Eduardo, tadinho, nunca quis te ver desde que soube, e vomitou quando chegou perto de ver, ele também sabia que não encontraria você. As mãos ainda eram suas, resolvi olhar só para elas,
"O senhor acerta bem no meio das latinhas! Eu não consigo! Esse estilingue tá quebrado?"
"Mira no meio Nanda, assim ó!"
cheias de marcas, foram tantas agulhadas, tantas tentativas. Nem parece, mas acabou finalmente o nosso viver daquela suspeita. Posso me lembrar de quando suspeitamos da notícia, pela primeira vez.
Aquele dia deixei de me ver como filha, estávamos fingindo que dormíamos, e ela me perguntou se eu suspeitava, senti como se o que saísse da minha boca fosse sempre algo sensato e sincero, e eu respondi dessa vez com medo. Ela me contou que você a vida toda foi tão carinhoso, e choramos, quando percebemos que você tivesse dado lembranças boas na infância triste que teve.
Para falar a verdade, eu só chorei lembrando de toda a luta que foi desde que descobrimos até aqui, só chorei mesmo porque lembrei do começo, da sua teimosia, você não queria saber e insistia que ficar vivo pertencia mais a sua vontade do que ao que era realmente verdade, depois, eu só chorei por conta do cheiro do açougue, das oferendas de refrigerante e salame, das partidas de estiligue e tabuleiro de damas. Por último, e só porque não tem jeito, vou chorar por causa do "toda vez ".
Se foi, ouvir sua voz querendo mais sorrir do que sair, seu jeito de kiko (do programa do chaves) e o que eu não vou receber. Um telefonema no meu aniversário com aquele barulho de Br no fundo,
"Oí? Está me ouvindo? Eu não esqueci não, viu? Fica sossegada porque a caixa de bombom já está a caminho!"
Ô vovô...que eu consiga guardar seu sotaque na memória, que eu não me esqueça.
domingo, 8 de novembro de 2009
Até mais ver...
Não voltarei para casa. Aquele dia, matei, morri, e suicidei todo um processo. Não voltarei para casa. Não do jeito que saí. Não na fome que sentia. Nem nunca mais vou me despedir ferida. Não vou deixar de amar quem em casa continua. Do jeito que eu sonhei, o que vivemos, permaneceu com um “Para sempre” e seguiremos felizes. Não vou esquecer de nada, porque esquecer é a coisa mais feia do meu mundo. A única tragédia é que não sinto mais tanto, e por mais trágico, foi só assim que finalmente ganhei uma bóia e parei de me afogar. E foi assim que deixei para sempre (e sem querer) de sentir a sensação: casa, mesmo que eu volte por lá.
O jeito sozinha, é basicamente cambalear ali e aqui, com o guarda chuva em pé, no foco da corda, que ás vezes é bamba. Equilibrar é fundamental, e às vezes sambar na frente de todo mundo na rua também. Aconselho continuar na bolha enquanto o instinto for seguro. Só espoque quando sufocar. Quando der, telefone, chore, grite, (e escreva sempre), de vez em quando caia no chão com tud
o no porre, coloque óculos escuros e não dê satisfação para ninguém, excite-se com o que a universidade anda pedindo que leia. E aproveite sua idade e os mais velhos que tem cara de serem ex- porras loucas da vida para chingar o mundo por ter te estragado, eles se incham, eles se veem. Não se preocupe em chutar a porcaria da porta que não sabe se fecha ou se abre, ninguém está vendo, e depois, gargalhe alto e durma em seus pensamentos . Isso, é o que eu chamo de servir.
(para alguma coisa)
(Tô viva gente!)
A verdade, a pura verdade.
Eu, nunca confiei inteiramente em nada, e isso vem, claro, da minha própria desconfiança de que tenha alguém tão mau quanto eu.
Desconfio do que você fala, ponho a culpa em você em cada uma das suas viradas de costas para mim, e deduzo que meus exageros e vontades ás vezes postos nos meus discursos, nos seus também existam. Mas, acredito, e te subestimo, que seus pontos de vista devem ser um pouco menos envenenados que os meus.
Nem sinto remorso, eu me acostumei com a minha hipocrisia. Já me acostumei com a falta de verdade e a presença do fingimento paciente.
Sua boca abre. Parece que é tão inocente que talvez não perceba que esteja transmitindo nas conversas sua verdade. Não é pura! Não é a minha, e por favor, não é nada além...é sua boca, e ela fecha.
É por causa da minha maldade percebida, e sua bondade inconsciente, que a verdade pura nunca vai existir. Que as versões sempre vão substituir o puritano lugar. Que eu nunca vou deixar de desconfiar.
No mundo vai ser sempre assim. Uns maus, uns bons, e uns. Menos nós dois.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Afã
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
A Cruz Vermelha.
Entre a frivolidade da juventude, decidiu ser médico, quando do corpo já entendia, decidiu ser turista. E turistou onde não havia gente entendida como ele. Conquistou a confiança de muitos, e no fundo ansiava, não queria ser só doutor. Conheceu ela na porta da sala de cirurgia, conheceu apenas os olhos, o resto coberto de branco, outras vezes de verde.
Certo dia acabou-se as luvas, e foi isso que fez com que ele fosse buscar uma caixa na sala de cirurgia. Lá dentro, a moça levou um susto e ele também. Ele, porque pela primeira vez ela estava de rosto e de cabelo e não só de olhos e nem abrindo caminho. Ela, por acabar de ter pensado uma heresia. O doutor pôs-se a esquecer de luvas dias e dias, o que na primeira semana, provocou risos na enfermeira, e o que no final dela, preocupação com a memória alheia. Se eu dissesse que a enfermeira não entendeu que as luvas ausentes mudaram seu rumo, estaria mentindo. O doutor beijou-a, depois de quinze vidas salvas na semana, e a enfermeira, depois de treze empurrões nas portas para a ala de emergência, e foram dois, dois únicos e assustados desprevenidos beijos, que não precisaram mais de tempo, só de vida.
O esquecimento das luvas foi esquecido pela presença das mãos e os fantasmas que rodeavam o hospital tiveram o que suportar.
Não demorou muito e a guerra veio trazendo mais vidas, e menos tempo. Ela foi mandada para fora, cuidar dos homens corajosos da nação, ele foi mandado para dentro, com irrecusáveis propostas.
"Caro doutor, sabe quantos salvei? Muito poucos em comparação aos que morreram. Vejo que as luvas não te fazem mais esquecer, e que pretendes criar flores, estou ávida para doar minhas mãos e plantar contigo. Abraços, a dona dos olhos."
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Uma vez era.
Acordava cedo com medo de perder tempo. Acreditava que devia aproveitar ao máximo cada minuto do sol no dia, isso porque considerava a noite um castigo em sua existência. Ao despertar, de pijamas, subia na janela e corria para a cozinha, achava sensacional não ir pela porta, de alguma maneira trocar caminhos, aventurava suas manhãs. Caminhando pelo corredor descalça, prestava atenção no silêncio do quintal vizinho, depois, pregava um susto na funcionária não desconfiada, e assim enchia a boca de sorriso, enchia a xícara de leite e raspava o chocolate.

Gostava de descascar mexerica, adorava a facilidade da casca se despir da fruta. Chupava o doce dos gomos, cuspia as sementes em uma competição frenética dela e dela mesma, e jogava o bagaço no corredor apesar de todos dizerem: "Não sabe comer mexerica! O bagaço é bom para o intestino!", imaginava então seu intestino segurando um buquê de rosas a espera de um bagaço de mexerica e sorria sozinha.
No quintal da casa procurava um novo formigueiro. Todos os formigueiros eram abandonados quando ela os visitava. "Eu queria diminuir.", dizia observando o buraquinho de mais um formigueiro conquistado e abandonado por ela, e que também jamais era conhecido por dentro.
Ao encontrar o paradeiro das formigas, dizia "Eu posso ajudar!" e trazia folhas, as quais as formigas nem se quer tocavam. "Bando de idiotas!" e destruía covardemente mais um reino. No fundo, ela só queria participar de alguma coisa.

Possuía muitas manias, logo depois do banho almoçava sempre na ponta e fazia questão de só almoçar se fosse na ponta. "Menina enjoada! Pode sentar aqui então! Quando crescer vai viver de pagar contas de restaurante, sabia?" dizia um intruso. Mas ela gostava da ponta. Na ponta se via todo mundo sem mexer a cabeça, na ponta não precisava estar se ajeitando por estar ao lado de alguém, na ponta ela virava rainha pois as outras pessoas deveriam passar certos pratos e temperos do meio, a ela.
"Só arroz e feijão? Você nunca vai crescer desse jeito, sabia?", lhe diziam sem saber que dessa forma ela comia arroz e feijão com mais gosto ainda.
Um dia trouxeram um tal de purê, amarelo, de uma tal de batatas que misturado com o arroz e feijão era uma delícia. Outro dia, uma tal de carne moída com batatas, por causa da carne quase não comeu, mas como viu que essa era fácil de ser engolida, gostou. Aos poucos, e sem que percebesse a menina abandonava o romantismo no prato.
Por último, vou relatar
dela no escritório. Deitava no chão e apreciava todos aqueles quadrados coloridos enfileirados na estante. Depois de muito respirar admirada e deitada naquele chão frio tinha a ideia de escalar a estante. Subia então, sentindo o cheiro dos livros de perto, encontrando algumas teias sem aranha, e lendo os títulos de cabeça virada em equilíbrio para não cair. sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Quando só o complicado me sacia.
beio ávida atrás de porquês, atrás dos perdidos, atrás do que seja funesto. Tácita, me declaro genuína e coaduno em em-ble-ma-ti-ca-men-te: volátil.(...)
Que voa, que evapora.
(Fê tentando se entender, usando outro vocabulário, sacia ás vezes.)
domingo, 11 de outubro de 2009
Recôndito.
A acomodação me abraça, acho que a acomodação, inclusive, é a única que sente alguma coisa por mim que eu corresponda sem me fazer muitas questões. Eu a amo será? Dizem que o amor não se explica...A questão fundamental e interessante é que cada pensamento futurista, a cada aperto e decepção, a cada realidade engolida, quem me consola são pensamentos suicídas. Não que eu esteja querendo me matar. Sim, que eles dão solução temporária.
"Não sou obrigada a viver tudo isso", "Não sou obrigada a me sentir mal hoje."
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Eu pensava que chuva era mais que água.
Uma das decepções da minha existência é a preparação temporal, o índice, que a chuva antes de cair, quase todas as vezes, faz.
Quando menina, janelas e portas batiam uma atrás da outra. "BÁ!-BÁ!",
Para mim, era como se a chuva fosse trazer muito mais que simplesmente, água... Quem sabe um rei, um aviso, uma guerra, monstros ferozes e devoradores montados a cavalo, alguma coisa surreal, mística ou profética. É claro, a chuva nunca trouxe mais que água, e não é claro que até hoje ainda sinto profundos anseios de que ela trará. Fui enganada, é que a preparação das árvores, do vento, a mudanças da cor do céu, o ritual da roupa não poder estar lá e de fechar e tirar e tampar e calçar, com contagem quase que regressiva antes dos primeiros pingos chegarem me passou a ideia de que era um fenômeno mais pitoresco do que natural.
"Nada."
(...)
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Enfim egoístas.
Você me acendeu, porque me notou, só.
Notou só quando ri de você, quando assim se sentiu engraçado.
Nós, somos egoístas, por isso ardeu.
Eu ri porque você contava o que eu já pensei, o que eu já senti, o que eu já bebi.
Notei só quando falou de mim sobre você.
Notastes só quando ri de você pensando que eu ria para você.
E eu era você, mas você não era eu, apenas rimos.
Egoístas, porque nos notamos só assim.
Ardeu.
Teu fedor, minha maldade, essa carniça.
Existem pessoas ilusórias. Aquelas que você pensa que gosta, mas na verdade suporta. Aquelas que você tenta gostar, mas sempre, quase que por inteiro, ela te incomoda. Existem pessoas ilusórias. Que passam resquícios que te fazem auto implorar para um lado positivo, procurar uma boa característica, mas no final estraga, azeda, e por mais triste que seja, por mais maldoso que seja, e por mais mínimo que seja, você não consegue não exagerar, você se aproveita da falha, como se esperasse em preces inconscientes por isso, e você descarta tudo que tentou gostar desde o começo, tudo tão trabalhasomente forçado é evaporado e hedonista por ser algo que sempre lutou contra e a favor, e foi contrariado de vez. Pessoas que iludem, que você tenta, por se sentir mal, suportar. Pessoas diretas calculam o que vão falar com propósitos, impulsionam em dizer o que percebem com coragem, e convicção. Pessoas sem noção, falam sem medir consequências, impulsionam em dizer o que percebem com coragem também, entretanto, age pela emoção de chamar a atenção, de achar que pensar e falar, falar e pensar são iguais mesmo que os verbos mudem de posição. Se há mudança, desconfie!
Existem, (como no começo)pessoas simplesmente ilusórias. Te fazem de maneira piedosa procurar um lado positivo, uma boa característica, contudo, não é que no final estraga, é que desde o começo não cheirava bem.
Sobre Forma & Trans
Eu escrevo, leio, queimo a língua com o café, converso, pago, e enrolo o papel o higiênico pensando no sistema, no que eu não me decidi, no que eu ando me tornando, no que eu nunca vou ser. O tempo inteiro pensando se fiz todas as perguntas que me intrigam, se não me entreguei ao comum, se tudo que acho certo está demorando a ficar errado, e às vezes se outras pessoas gostam de ficar sozinhas, só pensando.
Horas e horas sem música, sem gente, sem chegar em casa e ligar a tv, eu procuro me encarar, sem ou com espelho. Parando de me evitar, a própria existência, não é possível que eu...
Eu gosto de me torturar, de supor, de desgraçar, de impressões e enganos, de propositar, calcular, e quando estou com preguiça brinco de destino . Eu passo o tempo inteiro remoendo o que eu não sei, e mesmo assim insisto em pensar. Ás vezes eu me magoou, ás vezes me parece desnecessário. Discuto o que passa por mim, ficho tudo, seja gestos, teorias ou comportamentos.
Você se perde, prende o xixi de tanto pensar, você se esquece das necessidades, você se interessa demais em descobertas mentais. Crio situações, tenho devaneios geniais, percepções amiúdes que me deprimem até o fim do dia, e outras que me enchem inusitadamente de viver o restinho da noite. Ás vezes, eu acordo no desisto e durmo no alterada. Outras, acordo alterada e durmo no desisto. Quando eu quero, eu não consigo. Porque meu querer depende de muitas coisas...Quando consigo, penso se quis...
Vivo no meio, no meio do começo, no meio do final, no meio da barriga, quase uma quarta feira.
Percebi que tem dias que sinto dor por todo mundo, outros cansaço, e tem uns que me transformam, o que não me tira de mim mesma ainda assim.
Eu falo sozinha e rio e água. Não estou falando com as paredes! É comigo mesma. E não é preciso estar velha para começar a conversar com você.
Por favor, não implica auto-suficiência, muito menos que eu esteja apaixonada por mim, é apenas dedicação.
É menos trágico, me parece, (é imaturo?) Devem ser formas...forma de viver, de se conhecer.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Lar, amargo lar.
Posso ouvir o barulho dos ratos. A pia pinga como se fosse um sinal, um sinal de algo chegando cada vez mais perto de mim. O motor da geladeira desparou do nada, parecendo até querer mostrar que existe.
Quando peguei no meu telefone, ele fez um barulho e apagou feito um balão espocado, sem bateria.
As cortinas mexeram levemente, respirei desconfiada e olhei para a parede, a largatixa comeu o mosquitinho no meu encontrar dos cílios, senti quase em pânico que a casa estava viva...
Estralos, nos cômodos em que eu não estava.
"Desliguei as luzes por onde não estava." Era isso. Vingança da casa, pura vigança.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Enredo de um sabor perdido.
As impressões... são as únicas que restam. Impressão de que você está feliz, está errado, está bonito, está mudado. Ainda é você. Ainda existe você no seu jeito de ser. O que me impressiona é a impressão de que um dia vamos nos reencontrar. Claro que o desencontro, de maneira nem pensada, trouxe nosso silêncio e o começo da fome. Não sabemos que sabor perdemos, e vivemos, e vivemos também profundamente a espera do meio, porque só o meio trará o fim. Como é insensato, nosso silêncio finge e deve torna-se normal. E...quando há distância tudo se torna sensato. Se falássemos, era pedir para sofrer. Quem sabe sofremos?Inconscientemente. Ainda acho que é melhor sermos inconscientes que inconsequentes.
No quintal daqui de casa.
Alexandre, nosso vizinho, amigo de Eduardo, (meu irmão) diz:
-Ô Dudu! Eu acho que ninguém sabe de tudo!
Eduardo:
- Ô! É nada...e Deus? Hein? Deus deve saber.
Maria Luiza, a prima, retruca:
-Ô, nem Deus sabe de tudo Eduardo!
Alexandre:
-Se ele não souber, a mãe dele deve saber.
(Eu precisava registrar essa conversinha de criança. ;D)
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Dos pregadores a maldição.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Tarde demais.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Uma cabeça no travesseiro.
Perdi a hora. Perdi o paladar. Perdi a caneta. Perdi a emoção. Perdi a manicure. Perdi a fé. Perdi as moedas. Perdi meu umbigo. Perdi um par dos meus sapatos. Perdi vocês. Perdi na estação. Perdi o aceno. Perdi o medo. Perdi o gol do meu time. Perdi o número. Perdi a resposta.
Senti em...
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