sexta-feira, 17 de março de 2017

O PACTO

O PACTO

Depois, ficou tudo tão esquisito...
Eu nem te falei do meu pacto.
Do meu pacto, com as borboletas.

Faltou tanta coisa,
Eu achava que teria tempo...
Eu estava certa,
Não teria era outra coisa.

No começo, pareceu estar acontecendo por circunstâncias fora de mim.
Forçado, doloroso, outras pessoas...
Mas no meio, não era mais. Nunca foi.
E no fim, eram elas!
Todas elas, sem tortura, aqui dentro de mim.

O pacto nunca foi traiçoeiro...
Eu que não sabia que dava pra ser igual
Tem um monte invisível aqui dentro!
E apenas uma, real, aqui fora...
A que chega voando e me dá um sinal!

Um sinal de que tudo que tá aqui fora importa
Um sinal de que tudo que tá aqui dentro cega, passa, transforma...

Eu achava que existia tempo,
Mudou tanta coisa,
Transformou!
Às vezes chego voando, dando sinal!
Depois, ficou tudo normal...
Inclusive meu pacto...
Meu pacto esquisito
com as borboletas.

Poema: Fernanda de Alcantara ✒💭
(Montagem de desenhos aleatórios que guardo do mundão virtual por aí, e me inspiram✏💭)



sábado, 25 de fevereiro de 2017

Maria dura no arreio






"...entre as coisas bem vindas que já recebi
eu reconheci minhas cores nela, então eu me vi... 
(Nando Reis)"

Por onde meu sangue corre, ainda não existe mulher mais forte que Maria. Sempre tão segura, heroína da própria história, peça rara que supera os obstáculos da vida. Minha eterna e graças a deus viva, vovó Maria. Mulher que faz toda a diferença, que não abaixa a cabeça, mulher que trabalha incansavelmente, mulher do fim do mundo! E juro que dez lanças afiadas são levantadas no ar, todas as vezes que escuto teu nome. Maria Batista. Cuidado interminável, comida quentinha, observadora de detalhes, firmeza, vontade... muita vontade de fazer as coisas! Minha vó, mulher de verdade! Que viaja até onde quem esteja, para erguer, aconselhar, escutar o choro. Menina que venceu a roça, menina que não deu certo na escola, porque alguém tinha que cuidar de todas as coisas, menina que quase perdeu o braço, menina que perdeu a mãe e prometeu a mesma  ser mãezinha dos irmãos pequenos. Menina má, que foi sentando em cima das dores, que foi dando sentido a todas as coisas, sabores e cores. Matadora dos porcos, fez colheita dos milhos e depois, bem depois, menina moça que não teve sorte no casamento. Vai entender... a vida nunca te quis romântica Maria... nem por isso vovó também aceitou o amor errado que a vida lhe impôs. Mulher de verdade! Que gosta das coisas certas, de construir, Maria não submissa, selvagem se preciso for, Maria voraz! Não foge da luta, de falar as coisas, lá vai ela atrás dos seus direitos! Soldado forte num exército que ainda hoje, depois de décadas atravessadas, talvez não seja capaz de vê-la do tamanho que deveria. Mulher que não tem medo de mudanças, que as entende rápido, se adapta à elas, supera-as, senta de novo em cima das dores, muda de cidade, entra no mercado, constrói e reconstrói... 
Casas, parentes, calçadas... Minha vó Maria, com muito orgulho! Dura no arreio, não teve muito tempo para rezas, não teve muito tempo para crochês, mulher que realiza. E há ainda quem se lembre que Dona Maria é semianalfabeta, tão esperta! Lá vai ela deixando tudo limpo, varrendo a tristeza, dirigindo o carro, mexendo no próprio celular, aprendendo novas receitas pela internet, negociando preços nas feiras, abrindo a sombrinha para encarar mais um dia, depois de curtir minha foto no facebook.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

sem saber que eu era semente


As coisas vão se encaixando de uma maneira que eu pareço natureza. 
E natureza eu caminho, natureza eu falo, natureza eu não choro mais na chuva. 
Eu fiquei maluca e agora que seco, brotam flores dos meus dois lados.
Acordo com flores por todo meu colchão. 
No chão do banheiro elas desabrocham, 
no vaso eu despejo pétalas e mais pétalas, 
e quando tomo banho fico verde... eu fiquei maluca, 
qualquer um podia ver. 
Saí, voltei, nada funcionava. 
Havia ervas daninhas, muitas ervas daninhas que pela paixão do verão e o barulho daquela outra chuva que veio com a tempestade que parecia que nunca ia acabar, não pude ver. 
Não vi, meu deus. 
Não vi tudo que estava óbvio, tudo que foi arrancado de mim. Mexeram comigo! 
Quebraram meus galhos na calada, 
roubaram meus frutos, 
subiram em cima de mim, 
me desfolhearam...se é que essa palavra existe. 
Parecia até que o fogo havia me cercado com um cheiro de queimado que estuprava minha respiração. 
Uma chateação ocupou meus dias, 
meu peito virou caminhão carregado de areia 
e um silêncio em cima do muro se apossou dos meus lábios. 
Era uma tristeza que assolava meus dias, 
uma tristeza que acabou com as minhas noites, 
um desespero que me fez procurar 
arte, 
livros, 
o medo das pessoas. 
O fogo me cercou e quase destruiu meu barulho, 
meu imenso e bonito barulho de chuva. 
Eu precisava estar viva! 
Me recompor, 
Me construir, 
havia alguma esperança? 
Que terra piso com meus pés, 
quem é que podia me ajudar? 
Teria eu que me conhecer novamente? 
Me conhecer toda novamente... 
Seria preciso me enterrar, e me enterrando fui... 
o mais fundo e mais fundo...
fui me enterrando profundamente como um botão sem rosas 
e sem saber que era semente, semente fértil. 
Tudo cresce
Cresce, empurra a terra, cresce
Agora tudo floreia, 
e desabrocha, 
há esperança, 
eu tinha raízes,
raízes fortes e profundas
E do lado de fora, 
depois do muro eu também não tenho mais medo do vento, 
saio para passear voando com ele! 
Dou cambalhotas com ele, 
entro e saio pelas janelas e não passamos mais por debaixo e pelas frestas das portas...
Agora eu sou forte
Agora eu sou natureza 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O pé de manga que era o centro da casa.







🍃O jardim daqui de casa esconde histórias, uma delas é a do pé de manga que era o centro da casa. Anos atrás, ele ocupava um grande espaço. Eu menina, já sabia que era ele o dono da casa. Quando eu acordava ia para perto, e conversávamos muito sem abrir a boca. Seu formato por vezes me deixou confusa se ele vigiava ou aterrorizava a casa ao mesmo tempo. A noite eu sabia que fantasmas que não gostavam de crianças, faziam grandes jantares lá dentro dele. Mas nunca perguntei, apenas evitava olhar. Tinha dias que ele estava calmo, balançando suas folhas como se estivesse me dando bom dia, perguntando como foi na escola, se eu não tinha coragem de pegar uma escada e subir para conversarmos mais perto do céu. Mas eu não tinha força para carregar a escada...Outros dias, tão calado e introspectivo, ele se fechava e queria ser apenas a árvore que os outros achavam que ele fosse. Eu perguntava qual era seu nome quase sempre no final das nossas conversas, mas ele só sorria e mudava de assunto balançando as folhas. Certa vez, uma grande chuva lhe arrancou um pedaço. Foi um barulho grande! Pensei até em terremoto. Escutava meus pais discutindo. E se tivesse caído em cima da casa? Depois, ele também começou a ultrapassar o muro do vizinho, senti que ele queria crescer, mas também não queria sair dali. E estava tão confuso, que até deu manga verde, depois de anos sendo estéril. Decidi fazer mais companhia para ele, acho que estava ficando louco. Comecei a desenhar quase todos os dias embaixo da sua sombra, numa mesinha. Ele gostava de ver meus desenhos, mas criticava o fato de eu não desenhar grandes árvores. "Só pessoas, suas casas e mais um bando de pessoas calçadas em bons sapatos", dizia. Um dia cheguei em casa e ele não estava mais lá, eu segurava um desenho de uma grande árvore. O sol tomava de conta de todo o espaço, era luz mas não trazia esperança. Subi em cima do toco de raízes que ainda ficou, rasguei o papel e pensei "Só pessoas, suas casas e mais um bando de pessoas calçadas em bons sapatos, nunca mais árvores". O jardim daqui de casa esconde histórias, uma delas a do pé de manga que era o centro da casa.🍃

(Parte II) Mini conto✒ e foto📷de Fernanda de Alcantara

porta de não abrir

ainda tem batidão no meu coração, ainda tem sonho, ainda tem plano, ainda tem contagem regressiva, isso não pode ser amor, mas eu ainda preciso de você. pensar você, imaginar você, me torturar. a memória guarda olhares misteriosos, a alma guarda os flashes, o inconsciente retoma temas, cenas, vontades que nunca puderam acontecer, esclarecendo o que era fantasia e realidade. o que é que fazia parte da realidade que não era minha e nem a tua? estávamos juntos e não estávamos ao mesmo tempo. quando você entrou por aquela sala pela primeira vez, foi do meu lado que você sentou. mas da ultima vez, ficou esquisito, frio, introspectivo, quis morrer. por que não te ajudei a procurar aquele pen drive? você não me disse nada na festa, me fez invisível... eu enchi a cara, dessa vez eu não estava mais feliz, no seu aniversário na boate, eu estava. eu estava de verdade. e queria você, falar seu nome, olhar nos seus olhos, beijar seu pescoço... dessa vez é o seu tempo, inerte... meu coração não poderia desrespeitar sua históra, vida, traumas e trato. é você. é seu tempo, sua história mal acabada acabando, meu peito sinistro aguardando, escorrendo, tremendo...quem sabe um dia. por um segundo cheguei a pensar que eu fosse louca, que tinha criado tudo, só não confirmei porque enquanto eu via o vídeo na parede, enquanto eu te via ali na parede, eu sabia que tudo que tinha acontecido nesses meses não era de mentira, você realmente me dá alegria. uma alegria tão bela e selvagem que há tanto tempo não reconheço minhas cores, que há tanto tempo eu não encaixava nos meus planos. e então, você veio aparecendo do meu lado, você queria ser visto, não era ? tudo parou, parou de verdade. a música, as pessoas, fui capaz de ver apenas você e o vídeo e uma linha de sofrimento da qual eu não poderia evitar, eu não podia te cumprimentar. me desculpa mas eu não podia, eu era a visita agora e você pelo visto também não queria. mas como me coçei, como me coçei pra dizer algo, pra me controlar, pra não gritar no meio da sua cara, bagunçar suas regras. eu vou te pegar. esse dia vai chegar. eu não sei como, mas estaremos bem melhores e quem sabe no mesmo tempo. eu sei. Onde você está?! Como é teu beijo? Como é teu sexo? Não foi assim que você se comportou comigo naquela época. talvez, talvez eu também tivesse muito medo, agora também sou capaz de perceber. haviam muitas pistas e iscas das quais eu também corri.Você sumiu ali, é por que ela estava ali? E eu sai dali, e nós saímos e fechamos um ciclo que nunca se completou. nunca mais... mas agora, justo agora você resolveu espiar... não vou dizer que eu não ligo, mas não posso e quero ver nossos filhos, não posso e quero ver nossos netos, não posso e queria te ver de verdade. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O cachorro louco

O jardim daqui de casa esconde o segredo do cachorro louco. Talvez ninguém mais se lembre, eu era uma menina que ainda nem vestia a parte de cima e já dançava com o cão. Antes dele ir embora para sempre, rolamos muito nesse chão que agora habita acerolas e pássaros sanguinários. Amei muito mais o outro, o outro cachorro negro que encontrou o portão aberto e desapareceu. Eu não tinha sorte. Entendi, com a partida do animal que meu pai reconstruiu tudo, antes que chorasse. Apesar de que ele nunca chora. Vejo que muita vida entrou por cima da casa fantasma desse quintal que só sobrevive em álbuns velhos de fotografias esquecidas em cima do guarda roupa. Há uma nova realidade agora. O jardim daqui de casa esconde histórias... E uma delas a do cachorro louco. 
(Parte I) 



Mini-Conto✒e fotografia de Fernanda de Alcantara

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Caminho transformando o jardim em pedras.
As ervas daninhas vão ocupando um espaço.
Ele vê e nada faz
Ele não quer sua função
Caminho sabendo que as flores tem espinho.
Sangro um pouco, não como antes.
Todo mundo está aflito
Há uma guerra, não há paz.
Não vamos chegar juntos
Isso parece verdade
Não vamos e alguns já entenderam suas peças
Eu estava ramificada,
Horizontes,
Lados,
Agora,
curta,
curtinha...

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

me enganei
tudo mentira
não dormi
não disse
não deu tempo
me abraçaram
sorriram pra mim
agora eu me pergunto se não sorriram de mim
que ilusão
ninguém cuidou
sumiu
meu deus do céu
apagou
desviaram o caminho
não avisaram
desincutiram
desincutiram
desincutiram...
meu tempo passou
nunca mais agora
nunca mais é tanto tempo
eu pensei que...
é tarde
agora não dá mais




quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

O teu nome, as cores, o corte, altura e a acidez... a capacidade de admitir, era bonito o suficiente. Já não estava mais fantasiando sozinha. Alguém estava realmente me olhando, mesmo que tudo que eu pudesse, desde o início e por fim, era apenas querer. Não posso escrever sobre o que nunca existiu. Não posso escrever sobre o que passou pela minha cabeça diversas vezes. Não posso escrever sobre besteiras que me aceleraram por dentro. Nem para onde eu olhava, para onde eu queria olhar. Os caminhos que eu fazia para os pequenos planos do dia, para as pequenas atenções na noite. Não posso escrever sobre aquelas portas de vidro. Sobre os chinelos de quem não vivia mais entre nós. O que é que eu via e a forma com que os dias começaram a se passar. O churrasco, o barulho das pedras. Não posso lembrar de gestos para que eu me sentasse, bem no início, bem ali do lado... e se eu tivesse sentado? Eu não posso escrever sobre o que alguns, ninguém, e todo mundo, viu. Era só aquela música que tocou, era só aquela hora que eu já estava conformada, dançando e feliz e ganhei uma explicação que nem ao menos pedi. 
Ah, se eu pudesse escrever sobre o que escutei, sobre o que me lembro, sobre minha coragem, sobre o que foi real e o que não foi. Mas eu não posso. Não posso escrever sobre o que não aconteceu de verdade. Eu não posso escrever sobre nada. Escrever é tão perigoso. Não posso me transformar numa doida de repente. Preciso me comportar, ser normal. Mas, ah, se eu pudesse escrever sobre a diferença de querer e poder, mas nem disso ao menos eu posso quebrar a cabeça, compartilhar... às vezes parece que enxergo as coisas do avesso, e todo mundo parece estar vendo da mesma maneira. Não posso escrever nem ao menos que eu me lembro daquela conversa, apesar de estar bêbada; e que uma alegria genuína se apossou de mim e ninguém seria capaz de entender o porquê, mesmo não se tratando de um sim. Porque ninguém haveria de entender o que é um privilégio. Sentir assim, existir assim. 


domingo, 11 de dezembro de 2016

o paraíso me pertence

Desapaixonei. Agora sim. Agora eu posso respirar. Agora eu posso recomeçar da onde eu havia parado. Agora eu posso seguir em frente de verdade. Sinto o cheiro do campo, escuto a música novamente, estou livre, ah... estou livre outra vez, nada mais pode me impedir de ser feliz. Minha existência é real, é rio, é grande. Meu mundo nunca mais cairá dessa maneira. Eu estou poderosa de novo, eu me transformo em um gato, eu me transformo em mulher, eu pulo, eu caio de quatro. Eu não posso mais morrer. Cada salto que eu dou são quilômetros de distância que me carregam sem quem eu possa medir a dimensão, sempre para a frente. Bem a frente do que eu possa enxergar. É excitante quando saio da terra, quando tento fazer giros no ar, quando percebo que é bem mais forte do que eu. Eu estou sendo carregada por uma força descomunal. Para frente. A coragem me abraça e me segura. Eu gostaria muito que isso tivesse um nome. Quando eu durmo, meus dentes não estão mais caindo nos meus sonhos. Estou realmente em pé. São novos tempos e o medo agora é meu amigo. Passa por mim como o vento, balançando meus cabelos, assobiando nos meus ouvidos, ventilando minha carne e fazendo o que faz de melhor. Uma prece, um alerta, mostrar meus limites. Eu estou coberta de trevos, a realidade está coberta de razão. Meu amor era fogo querido. Minha fantasia a minha sobrevivência. Mas eu não havia perguntado nada. Não importa mais por qual razão eu deixava com que você me arrastasse. Tão punida, tua indiferença deixou tudo mais do que claro... Fiquei obcecada por semanas... mas os dias teriam sido bem melhores nas minhas ilusões genuínas. Mas agora tudo se transforma e vira pó, e a verdade vem a tona. Sempre correndo sozinha no paraíso particular daqueles olhares, do desejo que rondava as paredes, os corredores, a pequena sala em que fui trancada, meu nome, as brincadeiras, e o rabo de todos os olhares que guardei. Isso foi real. Isso ninguém pode apagar. Que parte eu não fui capaz de entender? Nunca super, sempre eu. Do inicio ao fim. É assim que as coisas deveriam realmente ser. É assim que as coisas realmente serão. Vejo minhas coisas favoritas todas de volta. Já posso ver meus sorrisos todos de volta numa estante colorida. O paraíso me pertence, eu sempre soube. O paraíso sempre me pertenceu. Eu estou correndo dessa vez sem fugir. Eu já fiquei muito tempo presa aqui. Agora sim! Com os pincéis na mão pinto um caminho, risco as paredes, me direciono, eu estou indo... dessa vez não posso mais me enganar. A verdade, a verdade é tão dolorosa. Mas acima de tudo é a verdade... acima de tudo são as flores que devo colher para meus vasos, para cheirar, para plantar. Agora sim... 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Estrelas que não precisavam de céu

Não sei como funciona, todavia, ainda me excita as mais de não sei quantas cenas que não construí sozinha. As vezes me pergunto como seria entrar naquela casa e vê-la com outros móveis, com outras pessoas, com outros fantasmas. Nem parece que foi nessa vida. Nem parece que eu ainda existo. Nenhum pedaço meu está perdido de fato. Nenhum pedaço meu está no passado. E não me sinto triste com isso. Nada de anormal. Eu sempre quis um fim. Meu começo, minha saga. Ainda cheguei a querer acreditar que sentia mesmo. Mas ninguém trai a si mesmo. Tudo grita mais alto quando não se pertence de fato a alguma situação. E não posso mentir, que isso me dava um tesão cabuloso. Era o que mais me excitava desde sempre. Por favor não pare, continue, eu dizia depois de um palavrão que nem existia no meu vocabulário. Quem sou eu? Não sinto coesão em pedir desculpas pela verdade. Mas seria exagero não ter medo se ser estranha. Eu era uma mulher. Uma egoísta. Eu adorava ser tão ingênua e isso não matar uma vagabunda que sempre esteve na minha pele e espírito. Por que eu não aprendi a maneira correta de me comportar? Não sei como funciona, mas comigo sempre foi tão diferente... nenhuma delas pensava como eu. Só podem ter esquecido de me explicar as regras... de por que meu fogo era azul? Francamente... vai ver... vai ver que fui sempre uma doida. De verdade mesmo. Naquele meu caderno preto, eu não falo sobre nada daquilo que pensavam, eu falo o tempo inteiro sobre tesão, uma situação confortável, cômoda, gostosa e prazerosa o tempo todo. Nova demais para brincar de amor. Nunca fiz sequer um coração nos livros de matemática, eram estrelas entende? Estrelas sempre! Estrelas porque eram difíceis de fazer, de ficarem perfeitas, das pontas se encaixarem de forma harmônica. Estrelas pretas e azuis, sem brilho, sem céu, sem lua. Estrelas que não precisavam de céu, e habitavam do lado das continhas erradas... todas erradas. Essa minha versão, essa versão ainda me excita. Não sinto nenhuma saudade. Respiro aliviada por ter vencido. Porém, vivo confusa na fantasia que eu encarei, na fantasia que se criou, na fantasia que eu sai correndo. Até hoje eu absolutamente não posso se quer dizer o que é que foi de verdade.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

às vezes decido ser armadilha

Tem um homem me observando por todos os lugares. Onisciente. Todos os lugares. Um homem na minha cabeça. Um homem no que eu deixei de dizer. Atrás das árvores, dentro do carro, das casas, sentado nos bares. Há um homem no céu me olhando, no trono me ordenando, na lua descobrindo o que eu não poderei ver. Existe um homem dentro do tanque, enquanto lavo minhas calcinhas. Um homem que respira dentro da água, que cabe num espaço minúsculo. Homens por todas as partes. Eu ando, ando, sem correr. Eles acendem as luzes para mim. Piscam o pisca alerta de acordo com os meus passos. Querem alguma coisa. Eu não sei o que eu quero. Amar é muito forte e o mundo dos fracos. às vezes decido ser armadilha, outras vezes subo lá em cima do muro e os espero com uma vara de pescar. Quando você esquece, quando você é apenas ser humano, alma perturbada, lá vem elas com seus cafés, fazendo questão de te lembrar que há um homem nos seus sonhos, dentro do seu quarto, observando se seus sapatos ainda estão sujos ou limpos. Cruzo as pernas, pego um vento...cuidado com eles! Há um homem me esperando também no futuro. Algumas coisas não são permitidas. Não são aceitáveis. Há um homem que chora no passado, há um homem que não é capaz de derramar uma lágrima. Há mais de nãos sei quantos homens mortos e mil homens vivos dentro da minha barriga. Velhos, meninos. O tempo todo esses meninos. Exames não vão dizer. Alma não fala. Espíritos são invisíveis. Não estou acorrentada. às vezes, só as vezes, todos eles nunca estão ali, estão por toda parte daquele jeito, mas nunca estão ali. Eles morrem de medo, ou sou eu. Pode ser mesmo que seja eu. Mas não sei mais falar, nem sentir. Não sou nem sequer obediente. E ainda me diziam que eu haveria de dizer sim, que eu haveria de dizer não, que eu haveria de dizer te amo. Homens por toda parte. Homens que sabem de tudo, homens que não entendem é de nada. 


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Já devia ter escrito sobre, mas me faltam palavras pra escrever sobre o que ainda sobrevive. Eu só posso, quando morto. Mortinho da silva. Abrir a porta do porão é arriscado, perigoso. Suspeitar é perigoso. Tem alguém aí? E então eu me afasto, dou mais passos para trás e tranco novamente. Te escondo. Estou infeliz. Mas depois me lembro que sempre fui um pouco. Está tudo anotado, desde sempre para que eu me lembre e não seja inédito. Para que eu ache a alegria anormal, a felicidade estúpida. Afinal de contas, a vida por si só é pessimista. Queria ter mudado meu roteiro, eu confesso. A decepção me abraçou com tanta força que estou sem ar em alguns dias da semana. Por algum momento achei que seria salva, mas não foi bem o que aconteceu. Eu ainda estou ali sobrevivendo. O calendário parou. As coisas estavam desmoronando, desmoronando... agora eu simplesmente estou flutuando perdida. Quanto inferno astral de uma só vez... e agora o mundo inteiro vai piscar e rezar como se nada tivesse acontecido. Alguém, por favor, me arranque de mim mesma. Quero me desligar. Eu queria estar realmente escrevendo sobre outra coisa. No início era realmente uma outra intenção. Mas cá estou eu aqui de novo, escrevendo sobre as bordas. As bordas que me apertam o peito e perturbam a alma.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

meus joelhos fortes, libertinos

Tirem essa girafa maluca da minha frente, ela não gosta de me ver contente. Animal paranóico, cheio de neuras. Não se contenta, não se contenta. Quer me parar, quer ser meu amigo, não se decide, não sai da frente. Me escuta, me vê chorar, me pede que pare, me pinta inocente, gosta de mim inocente, bem inocente. É assim que me faço pra me proteger... ah, se eu pudesse te dizer tudo, tudo e mais pouco, seria um show de escárnio, um exagero. Um descarrego, o diabo montado na minha garupa, meu sangue fervendo e o fogo saindo de todos os meus orifícios. Aí todo mundo ia ver que eu não sou flor que se cheire, que minha alma tá cheia de buracos negros permanentes, que minha história é mais profunda e meu humor vem do fundo do poço mais frio. Que ótimo pensarem que nasci ontem, que não sangro, que não carrego pedras nos peitos, que sou fácil para destruir psicologicamente. Que ótimo pensarem que cheiro rosas, que sou frágil, menina, menina, ah, menina! Eu não estou cega seus cretinos! Nunca estive cega...Nem surda. Nunca estive. Eu aprendi tanta coisa. Mas principalmente que sou maior do que vocês pensam. Eu estou muda. Perplexa. Raciocinando minhas fugas. Eu voei tão alto, eu me encontrava nas nuvens... e agora estou tentando não quebrar os ovos, procurando minhas saídas e minha cura. Ainda não sei, estou confusa, uma hora me sinto vacinada, outra hora doente. Quebrem o meu pescoço, parem de me torturar. Um dia acordo forte, no outro tenho certeza que estou enterrada. E a malícia que me pediam o tempo inteiro, eu sempre a via. Mas não desse jeito. Eu estou coçando minhas partes intimas. Querem que eu grite, sem gritar. Querem que eu peça, sem pedir. Querem que eu crie, sem criar. O que é que eu ainda quero ? Quem tem o poder? Como é que eu vou sair dessa sem tumores, sem cometer um assassinato e crimes. Eu estou virando uma bomba viva. Acumulando, somatizando, enclausurando. Eis que a verdade será a mesma de sempre, eu nunca vou pertencer a lugar nenhum, era o que eu dizia. Agora me apego a esse meio, a sujeira, mas a vida me fez sopro. Tinha quase certeza. Soprando de um lado para o outro. Derrubando os papéis, movimentando as cadeiras, espalhando a tinta, a poeira, limpando, desmanchando. A vida me fez sopro, era o que eu entendia. Qualquer dia desses, eu vou afogar um de vocês. Um por um. Vai ser um lindo passeio. Talvez seja disso que todos nós precisamos. Uma tragédia grega. Um melodrama. Ou então, eu vou fumar vocês, um por um. Fazê-los entender por dentro do meu cheiro, meu gosto. Eu quero correr... Mas que buceta! Devolvam minhas pernas, meus joelhos fortes, libertinos... Olhe só com quem eu tomo chá agora, com meu maior medo, com os fantasmas que torcem pela falta de saúde do outro, os fantasmas que torcem pelo tropeço do outro, os fantasmas que torcem pela pior das descobertas, os fantasmas que perderam o corpo por tanto veneno correndo dentro das veias. Eu estou podre, malandro. Me amputaram. Não me reconheço. Demasiadamente humana. Eu sinto muito, mas é a verdade. No transtorno fui transformada.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Um por um

Eu devia ter feito um escândalo, chegado mais perto, gritado bem alto, olhado nos olhos, ter passado um medo, dizer que era agora, que continua sendo verdade, que não era coisa da minha cabeça, que eu sonho, suspiro, respiro, torço e imagino. Devia, sei lá, ter feito um barraco, caído no chão, ficado em silêncio, empurrado o corpo, puxado os pêlos, dizer que nunca mais, que até poderia não ser tudo verdade, mas que alguma coisa de diferente acontecia. Poderia ter dito quem sabe , que nem tudo era coisa da minha cabeça mesmo, porém admitido, afinal eu não minto, e ter reclamado... reclamado bem mais! Perguntado, por que não? Passado na frente, passado do lado, saído por de trás do balcão, do sofá, de um lugar escuro. Ter feito parte de um presente ainda que fosse pra não ser futuro. Eu podia não ter me escondido, nem ter fingido, e ter cumprimentado um por um, não me esquivando do você. O que é que eu fiz afinal? Abracei o medo, me entreguei para o medo e deitei vazia mais uma vez. Não é sobre ser completa, em nenhum momento. Tantas horas ainda tive no dia seguinte, e ainda assim amarrada à todas as correntes que não deviam me pertencer. Tantas horas tive de uma noite inteirinha,  antes de ir embora, e ainda assim obcecada por todas as ausências. O que é que não me seduz o suficiente? O que é que me angustia inteiramente? O que é que me da coragem e vai me quebrando devagar e pausadamente? O que é que me faz chegar sorrindo, mas nunca me faz ir embora inteiramente do tormento? Tá cravado na minha alma ou foi por um momento? O que se reproduz aqui dentro que fico contando os dias, criando um tempo, sorrindo das memórias, acendendo velas, decorando um nome, a voz, e procurando uma pista em tudo que era dito, e mais ou menos não dito. Não aconteceu nada, olha só. Que tragédia nata. Quanta ilusão....encharco. Meu gozo reprimido. Masturbação impulsiva, libertina,
criativa...  Mil vezes,  minha alma cheia de teimosia. Os raios poderiam me partir, sinto que já se foi o prazo em que se poderia falar sobre. Se passa...sobra-se uma louca. Racional. Me atingir! Quem sabe não era assim que sairia rápido, como um eletrochoque, tudo... absolutamente tudo que eu construí na velocidade da luz, só pra mim. 

Belzebú me dê aqui um abraço!

O diabo vem comprando nossas almas, bem debaixo do nosso nariz. 
Não venha me punir, todos somos cúmplices.
Você está vendendo a música que eles querem, 
e eu usando tudo que eu sei fazer para convencer números.
Ele não precisa de algo que eu tenho, 
eu é que preciso de algo que ele tem.
No começo, 
bem sabia que poderia ser estranho, 
pode haver uma energia de injustiça no ar... 
mas tudo é tão ideológico, 
fantasia, 
e quem é que queremos enganar, 
se é desse mundo mesmo que fazemos parte?
Descobri numa madrugada qualquer, 
dessas que você pode estar numa festa, 
dessas que você pode estar com insônia, 
Amando, lembrando, dançando ou beijando um desconhecido, 
nós... 
nunca... 
nós nunca fomos anjos! 
Quando eu vi, já não suportava segunda feira.
Quando dei por mim, clamava pela sexta.
Se eu não fizer, alguém irá fazer.
Minhas costas as vezes doem...
Tem umas facas cravadas nelas
Foram eles e elas
As vezes sutilmente eles me odeiam
Outras vezes reconhecem que não há com o que se preocupar
São eles, 
Os dividendos
Os demais vendidos
Nosso time, nosso grupo, nossa...
Ele comprou, e cobra sem serpentes penduradas no pescoço.
Eu pensava que quando fosse, 
se fosse, 
Que haveria mais terror, 
uma dor sem cessar,
uma coisa meio doentia, 
vermelha,
preta, 
cabulosa...
Mas não... 
Belzebú me dê aqui um abraço!
É assim mesmo que são feitos os negócios.
Você mal percebe,
Você gosta até,
Fazemos parte disso. 





terça-feira, 8 de novembro de 2016

um poema pra tu

quando tu começa a ouvir Lirinha
eu já começo a rir de nervosa
desculpa, mas você é tão previsível
tá tudo indo pras festas de novo
belas, inesquecíveis, criativas,
ah, se eu tivesse perto já tava dançando no seu balcão
não tem mais a casa
e os problemas os mesmos
ah, seu eu tivesse perto já tava dançando no novo salão
pra você brigar comigo
pra te ajudar a ficar um pouco mais feliz
lá vem o passo a passo que você sempre faz 
mulher
vê se não espiroca
nem toma nada agora
espera... 
me espera que eu tomo com você...
vergonha,
tudo de novo
vai fugir até quando?
eu previa, eu te disse
eu prevejo
teimosa da gota 
lá vai você de novo cometer essas cenas
ouvir essas músicas
bater palmas pro nirvana
é tanto mecanismo que tu apronta no amor
é só uma partida 
outra vez
tu e essa mania de querer partir 
e se partir toda no meio 
toda vez isso,
qualquer dia desses eu apareço ai na sua casa
pra gente comprar comida do outro lado do bosque 
e você me contar
como agora você tem certeza que é realmente o fim

sábado, 22 de outubro de 2016

Amanhã, quem sabe... pode ser meu dia.



Cortei minha língua bem da raiz, não foi da ponta e nem do meio. Peguei a tesoura na segunda gaveta e cortei. Da raiz. Sangrou tanto, mais tanto... que nessa sala, eu só enxergo vermelho. Tem horas que eu acho que eu morri. Sinto gosto e cheiro de sangue. Estou angustiada, consigo entender tudo. De alguma forma eu ainda sobrevivo. Entalada e de maneira ruim, mas sobrevivo. Antes que infeccione, ou que eu caia dura no chão, não quero que ninguém se impressione comigo. Só quero que sirvam minha língua há duas mulheres que tem algo em comum. Ambas, mães solteiras e de belezas diferentes, e que por algum motivo pessoal, juntas, me passaram uma bela de uma rasteira. Com a minha ajuda, para variar. 

Uma delas é a loira, há quem tive coragem de ser eu mesma sem mal conhecer. Achava ela elegante, simpática, e foi com toda classe que ela ardilosamente me expôs, e entregou os fósforos para a morena. Só mesmo eu cortando minha própria língua para que a culpa de ter me aberto para quem mal conhecia, parasse de me fazer vomitar. Passa aqui dentro de mim, um filme na minha cabeça. O que mais ela deve ter feito com o que eu lhe confessei? Preciso aprender depois dessa que dá para ser menos impulsiva, que não há espaço para ser ingênua e inconsequente por mais que eu esteja num momento de estresse. Há pessoas que esperam pelas nossas falhas e aguardam para atacarem pelas costas. Há pessoas que parecem te admirar mas adoram uma maldade de vez em quando. Quando eu olho para trás, tudo caminhava a meu favor e para dar certo entre mim e a pessoa que poderia abrir os meus caminhos. Finalmente eu seria bem mais reconhecida... agora, bem no finalzinho... estraguei tudo.

O outro pedaço da minha língua quero que seja servido para a morena, a qual nunca entendi bem o porquê, mas se sentiu muito incomodada comigo. Vieram comentar que até da minha risada ela andou reclamando. O fato é que nunca lhe fiz nenhum mal. Sempre tratei com respeito e cuidado. E paro para pensar, qual seria o objetivo em ter acendido a fogueira... queimo e não vejo o que de fato lhe deu tanto prazer. Me pergunto... será mesmo que a morena estava se importando com alguém quando resolveu criar toda essa situação? Um dia hei de lhe perguntar que espécie de Deus é esse que ela tanto parafraseia que está em primeiro lugar. Algumas pessoas também já haviam me alertado para tomar cuidado com a inveja, que ela tinha sono leve. Sorrir demais pode despertar a infelicidade alheia, diziam. Mas eu sempre achei que tal despertar não fosse problema meu. Imagino como deve ser triste viver vigiando a forma de sentir e agir. Imagino como deve ser triste viver mantendo-se constantemente na linha. Que parte do meu jeito é um grande causador de problemas? Isso é realmente um problema? Talvez, minha cara... você precise se libertar. A tua fome é a pior que se pode ter, é desesperada e com sede. Pare de ser tão mal caráter. Não é por aí que se constrói caminhos com bases fortes pra te sustentar em momentos de crise. Cuidado, um dia você pode cair sozinha.

Para quem foi "vítima" do meu escárnio, afinal de contas, eu preciso me responsabilizar pelo que fiz, eu digo sem sombra de dúvidas que me perdoe. Não é assim que eu realmente te vejo. Foi assim que eu te vi. Queria muito ser compreendida, mas não sei nem por onde começar, pois eu mal me lembro do que eu disse.  Mas não sou apenas meu erro. Avalie como eu ajo com as pessoas e o que falo. Não sou apenas aquele momento conturbado. Não era eu quando eu disse tudo aquilo. Era o estresse, a pressão e o cansaço. E me envergonha e chateia saber que serei vista a partir de agora apenas daquela maneira. Eu disse muitas asneiras, eu estava cansada... e sou melhor do que isso, e tantas vezes errada, eu ainda floresço. Tudo mudou durante esses dias,  até com você eu já brincava, coisa que nunca tive liberdade de fazer antes. Eu mal me aproximava.  Nunca fui perfeita. Também tenho defeitos. Mas por onde a minha história passa, eu sou violentamente frágil e forte e eu nunca precisei ser perigosa, nem fazer maldade para atingir meus objetivos. Que fique claro que o mal se combate com honestidade. Me desculpe, eu não sei nem o que dizer além de que eu estourei, exagerei e falei demais com a primeira pessoa que encontrei, a ponto até de esquecer o que eu mesma tinha dito. Foi preciso me lembrarem para se ter uma ideia. Quem nunca foi radical e temperamental num momento de estresse que se atire a primeira pedra! Interpretei seu jeito diversas vezes, pelo lado ruim, admito. Isso é culpa também de pouca amizade entre mim e você. Tudo se esclarecia na minha mente... quem era quem e etc... e principalmente quem eu poderia ser. Me dê um crédito, eu entrei nessa sala crua. O fato é que quem antes só me via, agora me revê, graças a um trabalho de equipe. Eu enxergava uma evolução pelo caminho e você já estava nela como aliado. Quando tua reação mudou, muito me impressionou. Teu silêncio agora me é compreensível depois que soube do que se tratava. Porém, me tortura. Há um grande mal entendido nisso tudo. Um mal estar. E agora as paredes da sala não são as mesmas, e vejo minha colaboração querendo partir de tristeza... pois não posso ficar triste. Sou muito intensa. 

Eu me pergunto, aqui dentro da fogueira, se a solução é me anular, se cabe apenas pedir desculpas e partir, ou ainda se tenho forças para tentar vingar nessa história. Tenho certeza que nenhum dos sorrisos e pequenos prazeres do dia a dia que existiram, foram de mentira. Te peço, se possível, para que não me condene para todo o sempre. Faça ser eterno apenas o que tiver sido bom, e deixe o inferno ser o que ele é. Terrível e ilusório. Um dia, quem sabe... eu hei de ter defesa. Lamento por não ter percebido bem antes que poderia ter tentado chegar um pouco mais perto. Tudo poderia ter sido bem diferente. Não sou uma pessoa ruim, nem de ferro, e estou tão envergonhada e chateada quanto você. Mas de consciência e mãos limpas. 

Sirvam-se todos da minha língua. No começo, cheguei a pensar que eu realmente era alvo de alguma maldade, que eu era importante, perseguida, vítima. Agora eu sei que sou apenas uma peça no tabuleiro. Eu sou apenas de uma cor que nem existe nesse vale. Há tantas versões, tantas crenças, tantas desavenças por aqui... mas uma coisa é certa, a minha cor é incompreendida, e a sala não será vermelha pra sempre. Não estão todos contra mim. E de onde eu vim, muitas batalhas eu venci. Cuidado comigo... porque eu sou feliz mesmo. E essa infelicidade que não me pertence e chegou até mim, não vai me transformar no que me feriu. Quando eu choro é porque sou muito forte. Dessa vez vocês conseguiram. Amanhã, quem sabe... pode ser meu dia.  
Existe um punhado de verdades
Aqueles olhares não eram de mentira
Dentro de tudo que ainda não é coragem
Minhas pequenas ilusões
Nem precisam chorar
Há vantagens
E o resto dos anos pra acontecer
Tem tanta coisa reprimida
Não raciocino mais sem tendência
Há uma torcida
Grita-se
Meu nome
Há uma reza
Teu nome
E tudo que não foi dito
Por deus!
Nem toda cerveja do mundo
Seria suficiente pra despistar
Será que foi suficiente?
Eu não tenho feitiços
Nem desenvoltura
Envolve todo meu calor
Você tava cego
Uma hora vai rolar



sexta-feira, 21 de outubro de 2016

a verdade engoliu meu nome

Não sou mais o que eu era. Tudo mudou. Há uma nova fase da qual eu não sei absolutamente nada a meu respeito. Sinto de perto os meus defeitos, e não sei sequer sentir os mesmos enjoos. Roubaram meu tesão foi cedo. Cedinho. Não sei onde ele está, nem se volta. Por aqui tudo dorme. E por ser outra, não sei também qual remédio devo usar,  nem se estou doente, nem se foi de repente, e o pior! Não sei nem mais se sou eterna... E eu era eterna até pouco tempo atrás, tenho certeza. Meu coração é quem sente. Me avisa de tudo, toda hora. Toda hora é hora de angústia e de procura. Quando eu quero adormecer, tudo está aceso e urgentemente querendo acordar. E quando estou acordada, eu me pergunto de que lado eu estou, e se não faço parte de uma grande ilusão. Ilusão da qual me é conveniente e sabe o preço da minha alma. Cada centavo dela. O caminho nunca será me entorpecer... e eu lá sabia se eu tinha preço! Eu me iludi de várias formas, é por isso que eu ainda estou viva... só por isso que eu ainda não cheguei nem perto de ser completamente ferida. Eu to de aço. É como se o que eu tivesse que fazer estivesse bem na minha frente, mas eu ainda não enxergasse de que cores... Mas, caindo na real... de que cor é a verdade mesmo? Namoro insistentemente a paranoia de hora em hora. Pedem pela verdade... buscar a verdade, buscar a verdade, buscar a verdade... agora ela me consome, me abraça no jantar, sumiu com minhas vestimentas e engoliu meu nome. Eu tinha algumas coisas preferidas, não sei mais quais são. Tudo deserto e metade do meu tempo não é meu. Eu vivo dentro de uma gaveta. O que eu estou deixando fazerem comigo, sou eu mesma que deixo? Pra onde eu posso ir? Estão me levando pra algum lugar... eu sei que estão. Há um cansaço, mil desejos e uma euforia de lascar... eu não sei, e me canso de procurar... o que é que ainda me pertence se não essa enorme confusão. Talvez isso seja eu agora. Uma hora, tudo isso que mudou parece partida, depois parece começo. Vai saber... parece que eu estou é fugindo. Eu quero correr, não deveria. Eu quero atravessar as pontes, não consigo pisar pra fora da terra. Quero gritar meu nome, quero que me escutem e não sei mais qual é o meu nome. Tudo é tão quadrado e obsoleto. Meu lugar não é aqui pra sempre, mas é como se eu ainda também não quisesse estar pronta. Eu fiquei, no final eu fiquei. Não é pra sempre, alguma coisa sempre me alegra com isso. Mas o tempo passa lentamente. E eu tenho medo que isso seja tortura, tortura que eu não aguente. Preciso descobrir meu nome.