mulher borboleta
Foram marés cheias os teus olhos nos meus
por um tempo que passava torturante e devagar.
Foi rápido como tudo virou um grande temporal
que inundou a praia de boas sensações que tua presença me causava.
Eu não te alcanço na roda
Tu não me alcança na despedida
Sem ginga
sem química
prometeste uma amizade que nunca chegou de fato com honestidade.
Achei por alguns dias que se construiria sim
Que seria possível e talvez bonita
Que eu seria querida como as outras meninas
Esperei alegre e atenta
Mas me desencantei rápido
e com algumas velas e preces
me alcancei novamente
Eu nadei na maré cheia
pra bem longe de ti e teu jeito estranho de me atacar
de querer ser serpente
Dentro do axé de todo o barracão,
vejo morar em ti uma triste sereia
a procura de um brilho
que tu de forma muito secreta sabes que eu tenho guardado
uma sereia que não sabe brincar comigo
que canta,
encanta,
mas ainda não sabe falar sem tentar me afogar
Entre berimbaus e tambores
me desenvolvo fora dali
e me fortaleço
e me lembro dos meus porquês
e da minha ida e chegada
da minha permanência
porque nunca foi sobre você
porque nunca foi sobre afeto
porque nunca será sobre ti
e o sexo foi um grande erro
que quase me deixou desarmada por um tempo
mas eu sei girar
sei atravessar além do risco da pemba
posso parecer iniciante
mas sou forte e muito bem encontrada
jamais derrubarás uma mulher búfalo
jamais impedirá uma mulher borboleta
respeite uma filha do vento
É rápido como tudo desvira depois da ventania
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