Capa preta
Nunca mais vi esse homem,
o destino o levou,
Será que ele volta por onde passou?
Será que um dia ele vem em outro lugar me abordar?
Pra o mistério das noites, enfim revelar?
Se tudo em volta era apenas mentira,
Quem era o cavalheiro que a dor me retira?
Que não teve medo da minha tristeza,
E trouxe o alento com tanta nobreza?
Naquele dia em que o corpo falhava,
E nada na mente o desejo acendia,
Quem conversou quando a alma chorava?
Quem foi o homem que me socorria?
Se o que houve ali foi apenas fingir,
Quem foi o Capa que me fez reagir?
Quem limpou meus pés com a força da pinga?
Quem me protegeu de toda mandinga?
Quem soprou charuto em minhas mãos cansadas?
Quem deu o gole nas madrugadas?
Se ela não escolheu o tom de verdade,
Quem era a mulher, por traz do manto de “caridade”?
O que ela buscava na minha coroa e estrada?
Por que ajudava na caminhada?
Por que pelas mãos e encenação me trouxe o início?
Tirando minha vida do precipício?
Hoje o silêncio é o que me resta,
Pois quem te trazia, não era só festa.
Onde começa a sua verdade?
Se o brilho nos olhos era falso, foi mesmo o Senhor que me pôs no trilho?!
Ficou o meu luto por quem te trazia,
Ficou a saudade da sua companhia.
Seu Capa... o peito se aperta na dor,
Perdi o canal que trazia o senhor.
Se ela era sombra e o senhor era luz,
Como é que o erro ao bem me conduz?
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