Marida e mulher.
Lembro que no começo eu controlava o cartão de crédito, você dizia que devia ser minha missão, eu dizia que era um dinheiro invisível. Era sempre assim, você pés no chão, eu filosofando, ou vice versa dependendo de onde estávamos no calendário menstrual.
Loira, magra, olhos verdes. Estrábica quando eu menos esperava. Aparentemente responsável. Tá, meio atrapalhada e sem juízo de vez em quando, tinha sua malandragem, dava seus pulos e sabe o que eu acho disso? Que era o mínimo que Deus podia lhe dar.
Desde sempre (me arrependo de nunca ter dito isso direito, porque você merecia) eu senti que seu coração era bom e que tua beleza era cansada. E ao passar dos meses percebi como muita gente se aproveitava disso em você, e tenho muita raiva da tua revolta ser tão bem escondida e tua carência tão escancarada. Outrora, apenas te (e me) perdoou abraçando seus motivos.
Não sei se fiz certo abrindo meus ouvidos, mas espero que tenha sido terapêutico desde o dia que você abriu sua boca, e começou a contar... tudo! Segredos, traumas, amores, dores, vontades. Acabou que eu te conhecia e desconhecia de um jeito que me atrapalhava. Tua presença e ausência começava a me atormentar dia e noite. Desconfio que o motivo seja: "Eu não soube lidar com tua vida." E eu lamento por não ter conseguido ser mais simpática e por nunca poder retribuir de forma decente e por completo, a paciência e coragem que teve comigo.
A primeira vez que te vi estavas meio nervosa, com uma roupa tão curtinha e rosa que me era pouco (até literalmente) pra decifrá-la. Mas, não demorou muito pra entender que era mais macho que muito homem, e te adorar pelo fato de não ter frescuras agudas foi instantâneo. Ficamos íntimas tão rápido que parecíamos "marida" e mulher.
Você toma coca-cola demais, pita três quatro cigarros falando da mãe (que eu nunca vou entender e perdoar) e eu nunca gostei do seu cabelo molhado e preferia os fios secos, saindo pra fora do capacete em busca de liberdade. Jamais vou aceitar o absurdo do seu pé ser tão pequeno, pois nunca foi possível trocarmos de sapato (tirando aquele meu all star velho e xadrez) e admito também que odeio as cores dos teus esmaltes e que seu pai é legal sim, basta ser sincera e não ter tanto medo dele. Se eu fosse você teria mais receio dos "V's" da tua vida, pra ser sincera, eu acho que cada contato teu com eles, te envelhecem uns cinco anos a mais.
Ah, um dia desses eu procurei um perfume e quase pensei que tu estivesse na loja quando cheirei "Florata", por último... eu tenho medo do seu colesterol, você precisa colocar tanto óleo nas panelas?!
Eu quase esqueci de citar minha felicidade de quando você dizia que era hora de nos arrumarmos pra poder sair. (Festas!)
"-Tu tem lápis de olho pra me emprestar?
-Super Mário tá dentro do guarda roupa, pode pegar."
Super Mário! Era assim que ela me chamava, e olha que eu não uso macacão azul, nem tenho bigode, nem jogo video game.
"-Super Mário?
- É. Tu já viu o toque do teu celular cabeção?"
O toque parecia com a trilha sonora do video game mesmo. Cabeção, era o nome que ela me chamava quando não me chamava de Super Mário. Esse eu nunca perguntei o motivo (Vai que ela me dava outro nome?!).
Admito. Eu sou chata, pessimista, egoísta e acho problema em tudo pela frente, e ela não, ela vinha atrás arrancando soluções do "cu com gancho", nem que fosse só pra me fazer sorrir.
(Para uma amiga camaleão.)
Comentários
muito bom!
hehe
Beijos