Corais

Sonhei que eu nadava no mar sem medo de onde iria chegar. E nadava, nadava, nadava até ouvir o barulho das gaivotas e esquecer o som da praia. Nadava de costas, sentindo o sol no meu peito e barriga. Tudo era azul, em cima e embaixo. Tudo era sol e luz. 

De repente havia uns macacos pretos comigo, não sei bem de onde eles surgiram. Eram engraçados e peludos. Uma hora pareciam grandes, maiores do que eu, outra hora pareciam pequenos e travessos. Nadávamos juntos e em sincronia, parecíamos bailarinas marítimas. Chegamos em alguns corais e paramos para fazer cocô. Cagávamos com força e satisfação. Ninguém nos via. Eramos todos selvagens. Os macacos pulavam comigo, ríamos, até que eles sumiam e eu andava sozinha pelos corais pensando que o dia não fosse acabar. Uma hora eu parava e respirava fundo e pensava com orgulho de mim mesma, por ter nadado tanto sem medo da imensidão e do mistério do mar. 

Alguém me dizia através do vento que corria entre meus cabelos que eu deveria nadar depressa e voltar para a praia. É que o mar seria dos tubarões em breve, dependendo do horário que eu voltasse, talvez seria perigoso ficar. A maré ia subir, onde eu iria ficar? Eu sentava abraçando meus joelhos e pensava quase chorando que preferia não ter ouvido o recado. Com medo, agora temia voltar a praia. E se eu nadar e um tubarão me pegar? Para onde foram os macacos para me trazer alegria? O sol parecia estar indo embora, sentia frio e sede, e as gaivotas paravam de falar.

Meu sonho parecia agora um pesadelo. O mar não parecia mais meu amigo, nem um doce mistério. Confusa, fiquei nos corais parada... até acordar. 



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

skin de mulher de cidade grande

Namorados laranjados.

Tetê